Alísio Saraiva nasceu a 13 de abril de 1949 em Castelo Branco.
A sua apetência para a música iniciou-se desde cedo, tendo mostrado a sua vocação para instrumentos de corda ainda na adolescência.
Autodidata desde sempre, no seu percurso musical de mais de 50 anos, integrou vários grupos de música e foi responsável pela criação de alguns.
De 1978 a 1980 integrou o conjunto música “Vértice”, no qual tocou guitarra baixo.
Em 1980 foi um dos fundadores da Associação Cultural e Social Rancho Folclórico de Rancho Folclórico de Retaxo, no qual tocou instrumentos como o cavaquinho e a guitarra clássica. Foi nesta Associação que em 1994 teve o 1º contacto com a viola beiroa, instrumento que se tornou a sua paixão, graças a 2 violas oferecidas pela secretaria de estado da cultura. Em 1993 iniciou o ensino de viola a jovens. E em 1995, criou o grupo de música tradicional “Sons da Beira” composto por músicos por ele formados. Foi neste grupo que começou a introduzir a utilização da viola beiroa e a explorar a sua versatilidade.
Cedo percebeu o seu potencial e o fraco uso que lhe davam. Em 1998 iniciou a investigação sobre as origens, os maiores tocadores deste instrumento e as afinações existentes e métodos de tocar. Percebeu então que se tratava de “um diamante em bruto”. Foi assim que criou uma afinação mais versátil, de forma a poder ser usada na musica tradicional portuguesa. Não tendo parado desde então.
De 2000 a 2007 foi formador de viola beiroa na Associação das Palmeiras, em Castelo Branco, e foi responsável pela introdução da mesma no grupo Danças e Cantares de Castelo Branco.
Em 2014 fundou a Associação de Violas Beiroas, com o objetivo de divulgar este instrumento. É nesta associação que nasce a orquestra de viloas beiroas resultado dos cursos de formação de aprendizagem deste instrumento.
Ainda no ano 2014, com apoio do INATEL e do Instituto Politécnico de Castelo Branco, foi publicado o resultado do trabalho de investigação de 20 anos: “Viola Beiroa – Método”, em parceria com Miguel Carvalhinho e com prefácio de Domingos Morais.
Para si o trabalho não estava concluído, depois de explorar as origens, as afinações, as formas de tocar, a sonoridade esplêndida, e até as músicas mais emblemáticas do folclore beirão é em abril de 2014 que constrói a primeira viola beiroa, réplica da viola do tocador Manuel Moreira (de Penha-Garcia, Idanha-a-Nova). A técnica de construção aplicada neste instrumento faz com que a sua sonoridade seja algo de invulgar em instrumentos desta característica. Este modelo valeu-lhe o reconhecimento do município de Idanha-a-Nova que irá oferecer ao Museu da Música de Hamamoto, no Japão, um exemplar.
Ainda este ano irá realizar em Idanha-a-Nova, a convite dessa autarquia, um curso de construção de violas beiroas.
Durante o seu percurso musical, Alísio Saraiva, fez atuações de norte a sul do país integrado em vários grupos, e a solo. Tocou com grupos de folclore, de música tradicional, de fado e até de música ligeira. A música é a sua vida, a viola beiroa a sua paixão, o seu objetivo, ressuscitá-la, promove-la e principalmente ensinar tudo o que aprendeu com ela ao longo de 20 anos de trabalho, para nunca mais este belo instrumento caia no esquecimento do povo beirão.

Castelo Branco, Castelo Branco, Beira Baixa

Ir para Castelo Branco