A mãe de Hélène levou-a com cinco anos ao conservatório municipal da cidade onde vivia, para escolher o seu instrumento. Depois de ter ouvido vários instrumentos, Hélène não hesitou e apontou logo para o acordeão. A professora dela tinha desenvolvido o ensino em torno do repertório para bal musette (uma forma de expressão musical para baile desenvolvida em Paris no final do séc. XIX, que se deve ao êxodo rural da zona de Auvergne, do centro de França para Paris, onde acabou por ser influenciada também por ritmos italianos e que se mantiveram até hoje; o nome musette vem originalmente do nome dum instrumento musical de matriz rural chamado cabrette, que é uma forma de gaita-de-foles francesa e que era conhecida como musette). Hélène passou sete anos a tocar este tipo de repertório, ao mesmo tempo que descobria em casa o acordeão de Raul Barboza ou de Richard Galliano. Um dia, a professora reformou-se e Hélène acabou por escolher a flauta de bisel e a música barroca. Alguns anos mais tarde, ao passar numa feira, Hélène viu o velho acordeão Organola e regressou logo ao instrumento original. Chegou a casa, experimentou uma partitura duma valsa musette, ainda se lembrava do instrumento, e optou por tirar umas aulas com um jovem que lhe transmitiu o seu repertório (Vesoul, do Jacques Brel, Libertango, do Piazzolla, Indifference, do Bernard Lubat, etc.). Em Lisboa, Hélène chegou a tocar com bandas como King Mokadi, com quem deu concertos em festivais ou em festas de aldeias. Aos poucos, Hélène começou a focar-se noutras actividades e deixou os ensaios para trás. Desde então, nas próprias palavras da acordeonista, usa o instrumento como “exutório nocturno, para o prazer dos vizinhos”.

Lisboa, Lisboa, Estremadura

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