Os Mata-Ratos são um grupo musical praticante do estilo punk, que surgiu em Oeiras no ano de 1982. A sua primeira formação incluía Pedro Coelho (guitarra eléctrica), Eduardo Pinela (baixo eléctrico), Jorge Cristina (bateria) e Jorge Leal (voz). À semelhança da maioria dos grupos musicais punk, os seus elementos eram autodidactas não possuindo formação musical intensiva. Tentavam reproduzir as músicas que escutavam - em discos ou programas de rádio como o Rolls Rock (1980-1982) ou Som Dafrente (1982-1993) de António Sérgio - de grupos punk britânicos e norte americanos. Contudo nunca tocaram versões desses temas, antes os usaram como matéria-prima, que transformavam, com recurso a pequenas variações estilísticas, em temas próprios para os quais escreviam líricas em português. A sua primeira performação ao vivo acontece em Dezembro de 1982 na Escola de Belas Artes de Lisboa. Por não encontrarem espaços receptivos a acolher concertos de música punk, os Mata-Ratos, conjuntamente com outras bandas, foram dos primeiros dentro do domínio musical pop-rock em Portugal a adoptar a ética DIY e a organizar a partir de 1984 os seus próprios concertos na TEIA (Sociedade Musical Alunos de Alves Rente) na Rua da Junqueira em Lisboa. O ano de 1984 marca também a entrada de Miguel Newton como vocalista, sendo actualmente o mais antigo elemento no activo, contando este ano com 27 anos de presença continua nos Mata-Ratos. A formação da banda tem sido inconstante tendo à data passado pelos Mata-Ratos, dois vocalistas, seis guitarristas, dez baixistas e seis bateristas. Actualmente integram os Mata-Ratos, para além de Miguel Newton, Francisco Esteves (baixo eléctrico), Pedro Charneca (guitarra eléctrica) e Ricardo Vieira (bateria). A banda deixou de estar centrada em Oeiras, estando agora disseminada pelo país, Oeiras, Sintra, Castelo Branco e Cem Soldos. Alguns dos momentos mais marcantes a que se associam os Mata-Ratos pela exposição obtida junto dos meios de comunicação social, ligam-se a 1991 ano em que participam no 6º Concurso de Música Moderna do Rock Rendez Vous e a EMI-Valentim de Carvalho edita comercialmente o seu primeiro registo fonográfico de longa duração, “Rock Radioactivo” nos formatos vinil LP, CD e Cassete áudio, atingindo a quinta posição no top nacional de vendas. Os fãs dos Mata-Ratos privilegiam sobretudo o conteúdo lírico das canções e a possibilidade de uma interacção activa nos concertos, em detrimento de uma execução musical competente ou profissional que, aliás, normalmente se torna impossível ou porque o palco é aberto a esse mesmo público ou porque alguns elementos da banda poderão encontrar-se embriagados. Apesar da predominância do estilo musical punk os Mata-Ratos foram permeáveis à hibridez musical e tem ao longo dos anos vindo a incorporar no seu reportório elementos provenientes de outros domínios e estilos musicais como o heavy-metal, o hardcore, o ska jamaicano ou a música tradicional portuguesa. O conteúdo lírico das canções dos Mata-Ratos tende a seguir alguns padrões mais ou menos constantes que variam entre a contestação e combate explícito aos poderes instituídos, a crítica satírica aos costumes portugueses, as narrativas de carácter surrealista e o elogio ao consumo desenfreado de bebidas alcoólicas. Os espaços de performação que tem servido de palco a concertos de Mata-Ratos variam entre estádios de futebol, pavilhões desportivos, bares, colectividades recreativas, salas de espectáculos, discotecas, coretos, recintos de festas e pequenas garagens. O público pode rondar entre algumas dezenas e uns milhares de pessoas. Contudo os espaços habituais de performação são de pequena ou média dimensão e o público rondará entre uma e três centenas de pessoas. A banda tem tocado um pouco por todo o país, em grandes centros urbanos e em pequenas localidades. Já efectuou três digressões internacionais que incluíram concertos em Espanha, França, Bélgica e Alemanha. Tem partilhado palco não apenas com bandas praticantes do estilo punk mas também de outros estilos, com destaque para o heavy metal e hardcore. Ao longo dos anos também já actuaram ao vivo ao lado de bandas de rock, de baile e ranchos folclóricos. A relação dos Mata-Ratos com a indústria discográfica tem sido muito diversificada tendo os seus inúmeros registos fonográficos (álbuns, singles, splits, participação em compilações, etc) sido editados por editoras multinacionais, independentes e edição de autor. A banda tem registos fonográficos editados comercialmente por editoras portuguesas e de outros países como França, Alemanha, Estados Unidos, Espanha, República Checa e Brasil.

Tomar, Santarém, Ribatejo

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