Telmo Ferreirinho Seco, 06 de Agosto de 1990, Évora.
Descendente de classes sociais bem distintas e de personalidades que se confrontam, avós maternos lavradores e paternos trabalhadores rurais, filho de pai emigrante e mãe empregada domestica, segundo e último filho desta união.
Cresci aos cuidados dos meus avós maternos, “debaixo da cadeira de barbeiro” profissão esta que o meu avô ocupava no tempo que lhe restava da lavora e pecuária.
Costumo me descrever como politicamente incorreto; sonhador; impulsivo; idiota por natureza; suficientemente mandão e incapaz de acatar qualquer ordem; teimoso e desconfiado; filho de um tempo ainda desconhecido; amante da cultura; conservador de valores e princípios salutares que me foram incontidos; guardião em toda a minha vida de um tesouro imenso que os meus antepassados me legaram; apaixonado por arte; leitor compulsivo; afável; comunicativo; hiperativo por excelência. Não gosto de perder a vida a dormir, não durmo mais que 4 a 5 horas diárias, não há um só dia que inicie sem dar graças a Deus pelo sol que me oferece e pelo dom que é a minha vida, ainda que pobre e franca. Gosto de andar na rua a pé, passar pelas lojas e estabelecimentos comerciais mesmo sem nada ter para comprar, apenas para dizer olá e saber as novidades do dia. Não gosto do calor abrasador do verão pois tira-me a vontade de trabalhar, gosto de dias de chuva, que me enchem de inspiração para escrever e pintar, sentado a lareira ouvindo o crepitar dos madeiros a arder. Gosto igualmente da Primavera que me traz o canto dos pássaros e o cheiro a rosmaninho do campo.
Gosto de “gastar” o meu tempo com os meus adoráveis professores, os velhos, sim os velhos não os idosos como agora gostam de lhes chamar, aqueles velhos guardiões de vidas carregadas de historias luzentes que nos enchem o coração e nos ensinam a viver a vida com tanto mais sentido…
Adoro cantar, estar rodeado de amigos e ter a casa cheia com eles sentados a volta da mesa, pois a minha vida sem os outros já mais teria sentido, como costumo dizer “não nasci para mim, nasci para os outros”.
Da minha formação pouco e muito poderei dizer, nunca estudei um só dia da minha vida, talvez por isso ou por insistência constante dos professores que me chamavam “burro” um dia tenha admitido para mim a hipótese de o ser, deixando por momentos cair por terra a ideia que hoje se me fixou, de que cada homem traz consigo um doutoramento ao nascer.

Da minha vida em geral muito poderia dizer e descrever, de todas claro há que dizer que sou um “beato” que não perde uma só oportunidade para ir à Igreja e rezar ao seu Deus, depois dos movimentos onde participo das actividades que colaboro entre tantas outras deixo apenas algumas gerais:
Cantor e membro dos corpos diretivos do Grupo Coral dos Trabalhadores de Alcáçovas 1998/2010
Voluntario enquanto membro da Juventude Hospitaleira – desde 2006
Voluntario da Santa Casa da Misericórdia de Alcáçovas – desde 2011
Membro dos Órgãos Sociais da Santa Casa da Misericórdia de Alcáçovas 2016
Coordenador e Catequista na Paroquia
Fundador e membro ativo do Grupo de Jovens “XPTO” da paroquia

De tudo isto e muito mais coisas negativas, que não tenho a ousadia de descrever é formada a personalidade do meu pequeno ser. Este ser que habita nesta pequena localidade de Alcáçovas, e que aos oito anos se deu conta que pela sua mente vagueavam palavras como que numa dança procurando par, palavras essas que hoje lanço constantemente ao papel em quadras soltas, sextilhas, sonetos ou decimas a que vulgarmente chamamos poesia. Poesias que para mim são como beijos que se dão e que num dia ou noutro se nos veem a memoria e assim se recordam, umas tão verdadeiras como que outras poeticamente falsas que nem mesmo eu poeta que as escrevo nelas acredito.

Telmo Ferreirinha Seco

Viana do Alentejo, Évora, Alto Alentejo

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