Moda dos Bombos 

Maio 5, 2013

Soalheira, Fundão, Castelo Branco

Fundão, Castelo Branco, Beira Baixa

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Vídeo gravado no âmbito da Grande Rota da Transumância.

Lavacolhos, uma das mais pequenas freguesias do concelho do Fundão em termos populacionais, é reconhecida de Norte a Sul não apenas pelo seu invulgar toponímio profundamente estudado mas sobretudo pelo Grupo de Bombos de Lavacolhos.
Com projecção a nível nacional, os Bombos de Lavacolhos, que se revelam de toque genuíno e sem igual, constitui o verdadeiro cartão de visita da aldeia.
Instrumentos
De fabrico artesanal e local, os materiais usados são a pele de cabra, a madeira de castanho e de silva, o zinco e a corda. A caixa, de dimensão mais pequena que os bombos, segue o mesmo procedimento de fabrico. A sua afinação é reservada aos conhecedores da arte! Associados à região mediterrânea e particularmente às pastoris, veiculam um substrato musical ancestral da qual não há memória da sua origem e verifica-se que, nem pela sua textura nem pela sua configuração se possam assemelhar com os zabumbas, zéspereiras ou tambores militares. Este saber popular e colectivo, transmitido de geração em geração, honra o povo de Lavacolhos. A música, no âmbito da cultura popular, ocupa um lugar importante. Sem dúvida, revela-se, de uma forma singular, guardiã da herança do passado e faz reviver a tradição associada às actividades agrícolas e aos festejos colectivos da aldeia de outros tempos.
Outrora, revestia-se de uma honra tocar o bombo uma vez que os tocadores eram rigorosamente seleccionados e a guarda dos instrumentos era confiada ao melhor tocador. Mais recentemente, essa responsabilidade foi confiada ao Regedor da freguesia e, actualmente, cabe à Junta de Freguesia e em particular ao seu Presidente, zelar pelos instrumentos e dinâmica do grupo. A conjugação do toque dos bombos, das caixas e do pífaro, com os eu "dobrar exclusivo e sem igual" tocado com as suas mãos, é uma afirmação genuína do povo que entoam composições poéticas de inspiração medieval, do tipo trovadoresco, que não obedecem à estética musical. É um som interior, fruto de sensibilidade e da virtuosidade que, não sendo cuidado, é gritado afim de ter longo alcance e retomado pelo coro que lhe dá dimensão colectiva.