Modas 

Novembro 2, 2015

Ribeira de Algibre, Benafim, Loulé, Faro, Algarve

Loulé, Faro, Algarve

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A história da Rosária Centeio, ou o que é tradição oral virtual? Há poucos meses, estávamos em Loulé, o município tinha apoiado a logística das gravações e com a presidente da Junta de Freguesia de Querença/Tôr/Benafim, descobrimos a Rosária que com 99 anos, era viciada em tocar concertina e muitas vezes a família a encontrava de noite sozinha a tocar. Gravámos várias músicas e publicámos uma que foi um sucesso, 12 000 viram logo em 8 horas e por aí fora. Passado uns dias, muitos no facebook descontentes com a ligação ao vimeo, que não é directa, nem tão rápida, descarregaram o vídeo e toca de o por directamente no facebook, na sua conta, os primeiros ainda respeitaram o logo do projecto A música portuguesa a gostar dela própria, mas os segundos e os terceiros já tiraram o logo e as informações sobre o nome da Rosária e de onde era, etc e o vídeo assim lá viajou pelo mundo, ate que de repente vai parar ao facebook do Jornal do Luxemburgo. Esta história mostra que a tradição oral, desta vez virtualmente torna de repente o autor num colectivo, neste caso tornou-o desconhecido. É bom termos esta história sempre em atenção, de vez em quando leio aqui frases, como: "esta música é daqui e sempre foi daqui e pertence ao povo e não tem autor", não, as canções são como o vento, mas têm autores. Esta senhora chama-se Rosária Centeio Coelho, é de Benafim, Loulé, Algarve e toca.