Nevoeiro (de José Mário Branco) e Baile das Oliveiras (de Roncos do Diabo) 

Julho 28, 2018

Castelo de Vide

Castelo de Vide, Portalegre, Alto Alentejo

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Nevoeiro de José Mário Branco

Onde vais ó caminheiro
Com o teu passo apressado
Onde vais ó caminheiro
Com o teu passo apressado
Vou ao cais do terreiro
Ver o rei Sebastião primeiro
Num lençol amortalhado
Voltou num nevoeiro
Num veleiro sem leme nem gageiro
E de casco arrebentado

Onde vais ó caminheiro
Com o teu passo apressado
Porque levas caminheiro
tanta pressa no cajado
Vou ao cais do terreiro
Ver o rei Sebastião primeiro
Num lençol amortalhado
Voltou no seu veleiro
Nevoeiro
Esperado primeiro
E depois desesperado

Onde vais ó caminheiro
Com o teu passo apressado
Quem te traz ó caminheiro
Esse príncipe encantado
Vou ao cais do terreiro
Ver o rei Sebastião primeiro
À tanto tempo esperado
Voltou no seu veleiro
Nevoeiro
Sem glória nem dinheiro
Num lençol amortalhado

Onde vais ó caminheiro
Com o teu passo apressado
Porque paras caminheiro
Se é Sebastião finado
Voltou no seu veleiro
Nevoeiro
Nem leme nem gageiro
Num lençol amortalhado
Vou ao cais do terreiro,
Nevoeiro,
Pra ficar bem certeiro
Diz que é morto e enterrado