A Rosinha costureira 

Junho 26, 2018

Salvada, Beja

Beja, Beja, Baixo Alentejo

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A Rosinha costureira

A Rosinha costureira
Alegre e trabalhadeira
De um bondoso coração
Um dia se enamorou
De um rapaz de quem gostou
Do serralheiro João

Ambos se davam tão bem
Pareciam irmãos, porém
Eram simples namorados
Jurando até por morte
Ao destino que é bem forte
De um dia serem casados

Lá chegou a ocasião
De o serralheiro João
Foi soldado foi ás sortes
Da Rosa se despediu
Deu-lhe um beijo lá partiu
Diz ela: Vai e não te importes

Sempre te hei-de respeitar
Podes João abalar
Não te esqueças de escrever
Juro-te aqui mesmo agora
Por a virgem Nossa Senhora
Serei tua até morrer

Iam-se os meses passando
Eia e ele esperando
Por estas datas tão fartas
quando um ao outro se escreviam
Mas quando a resposta liam
Até beijavam as cartas

Até que um belo dia
Apareceu na freguesia
Um primo da linda Rosinha
Que do Brasil veio rico
Aquele grande malfarrico
Pediu-lhe a sua mãozinha

Com o tio foi falar
Dizendo-lhe quero casar
Com a minha prima Rosa
Se entender contente fico
Como vê eu sou muito rico
Eu quero-a para minha esposa

Logo o pai chama a Rosinha
Diz-lhe querida filhinha
Chegou agora a ocasião
Brevemente vais casar
Com teu primo lindo par
Deixa o pobretito João

Logo a Rosinha a tremer
Diz meu pai não pode ser
Por ser rico não me importa
Gosto mais do meu João
É dele o meu coração
Nem que eu saia daqui morta

O pai deu-lhe uma bofetada
Pô-la num quarto fechada
Foi falar com a mulher
Nem mesmo que se torça
Casemos mesmo à força
Que ela ainda não tem querer

Tenho dinheiro que se veja
E até vais meter inveja
Olha as notas imbecil
E à força a casaram
Com o primo regressaram
Residência no Brasil

Agora ainda a mãe lhe diz
Filha tu serás feliz
Este não é serralheiro
Diz a Rosinha: Que horror
Pois se eu não lhe tenho amor
Na me importa ter dinheiro

Agora penava então
O soldado bom João
Ansioso por saber
Porque é que a sua Rosa
A sua futura esposa
Lhe deixava de escrever

Arranjou então uma licença
Para vir á terra à presença
Da Rosinha Procurar
Quando à sua casa chegou
A mãe assim lhe falou

Ouve lá oh meu João
Filho do meu coração
Andaste sempre enganado
Minha mãe
Já me avisou alguém
Foi casamento forçado

E para o quartel voltou
Admirado ficou
O pobre João soldado
Foi grande o contentamente
Que teve naquele momento
Que era recenseado

P’ra sua terra voltou
Com a mãe dele falou
Vendemos a nossa casinha
Quero ir para o Brasil
Quero saber deste ardil
Quero procurar a Rosinha

Quando ele ao Brasil chegou
Ele logo procurou
Pela Rosinha portuguesa
Com uma certa direcção
Foi bater na campainha
Logo lhe atendeu um criado
De luto e bem carregado
Era o o fial da rosinha

Por quem pergunta
É escusado
Mais no mundo Procurar
Eu juro-lhe aqui senhor João
Que a Rosinha morreu ontem
Com o seu retrato na mão.

Pálido João sem cor
Diz-lhe querido amor
Aqui tens o teu João
Dá na cabeça um tiro
Deu o último suspiro
Agarrado ao caixão